Correspondendo

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Abril 13, 2008 · Deixe um comentário

E de repente, ele viu que aquilo não era bom. Tudo se passou em um banheiro em Coimbra, onde era recém chegado. Já dentro, aguardou e sua vez, enfim, chegou.  Preparou, apontou e… “Eh pá, seguras meu fino enquanto mijo?”, dispara um voz em seu cangote. “Lá ele ó pá gajo paneleiro dum caraça”, respondeu irritado o cabra macho baiano. Na verdade, só mentalizou tais palavras. “Mas cuidado para ão balançar”.

Segurou. Firme, é claro, para não soltar e, de repente, molhar seu novo par de tênis. “Ajudar não custa nada afinal”, pensou.

“Muito obrigado ó pá. Terminei”, agradeceu o gajo. 

Soltou.

O luso-mijão, satisfeito, subiu o zíper.

Despediram-se.

Com sede, o soteropolitano dirigiu-se ao bar. Pediu ele mesmo um fino. Bem tirado, geladíssimo, a espuma cremosa… uma delícia. A vida em Portugal, então, começava para ele.

Dicionário:
- paneleiro: bixa
- Eh pá; oh pá: serve para ser usado antes de qualquer coisa
- dum caraça: dum caralho
- fino: CHOPP; também, claro, o que vocês pensaram antes: “bilau”. É só uma questão de grossura.

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